23 de outubro de 2008

Visões do Porto (10)


Foto de Alberto Guimarães

Rua do Breiner.

22 de outubro de 2008

Bing Crosby


Depois de Carmen Miranda, é a vez de Bing Crosby publicitar o magnífico e elegante receptor de rádio Musaphonic G.E..Seleções do Reader´s Digest, Brasil, Agosto de 1945. I'll capture her heart singing.

19 de outubro de 2008

Qualquer coisa entre


Foto de Alberto Guimarães

Nem a formação militar, tipo guarda de honra, configurando os vasos degrau a degrau, nos impede de ver familiaridade. Isto não é paisagem. Qualquer coisa entre instalação contemporânea, daquelas das galerias pedantes e evanescentes, e quintal da casa onde crescemos. Talvez couve-de-bruxelas, Europa, e arremedos de orquídeas tristes, biodiversidade. Mas nunca vasos de plantas não-alinhados. Estão ali, firmes, comprometidos, tudo se passa nas traseiras, há hiper-realismo e melancolia. Uma porta ponto de fuga. Rosas do Cairo? Promessas novidades, tenras?
Se houvesse rosmaninho era sul. Se surgissem manjericos era Fontaínhas. Mas não, só racionalidade e a humidade que faz a força, leve Outono.
Plantas carnívoras não—mas vasos vegetarianos, levitantes, medidativos.
Eis que vão a direito, de baixo acima de qualquer suspeita. Desistamos. Nada explica nada. Há só luz e oportunidade e quintais resistentes, vidas passadas a ferro e fogo. Urgências, geografia sentimental, zapping do espírito. Esperando que alguém suba aquilo e descubra.
Bernardino Guimarães

16 de outubro de 2008

Mercado do Bom Sucesso











Fotos de Alberto Guimarães
Mercado do Bom Sucesso, ontem à hora do almoço.

13 de outubro de 2008

Visões do Porto (9). Dose tripla.




Fotos de Alberto Guimarães
Porto, esta manhã.

11 de outubro de 2008

Magical Mistery Tour


O acervo da Galena. Um magical mistery tour... final dos anos 50, talvez no Porto ou arredores.

Forma e função


Forma e função por apenas cem escudos. Anuário Radiofónico Português, Lisboa, 1937.

9 de outubro de 2008

Luís Veiga Leitão


Foto de Alberto Guimarães

PRISIONEIRO

O prisioneiro é como um navio
preso ao cais. Amarras de desterro
com ferrugem de noites a fio
e redes de ferro.
Do casco que um vento negro impele
caiu-lhe a pintura, o próprio nome.
Mas o mar está dentro dele
e não há força que o dome.

Luís Veiga Leitão, in Longo Caminho Breve, poesias escolhidas 1943-1983, INCM.

O poeta Luís Veiga Leitão, falecido em Outubro de 1987, vai ser homenageado por um grupo de amigos no próximo sábado, dia 11, às 16 horas, na Casa da Beira Alta no Porto (em frente ao Café Magestic).

7 de outubro de 2008

Radio Ivre


Poema da necessidade

É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.

Carlos Drummond de Andrade

5 de outubro de 2008

Carmen Miranda em tecnicolor e tom natural



O infindável filão dos anúncios da Reader´s Digest. Carmen Miranda nas Selecções, Brasil, Outubro de 1945.

Visões do Porto (8)


Foto de Alberto Guimarães

Rua da Torrinha, final da tarde de ontem.

2 de outubro de 2008

noite onde a mais bela aventura


Foto de Alberto Guimarães

O registo digital desta foto marca as 18.12 de ontem, quando no interior das cercas metálicas de S. Lázaro já poucas pessoas persistiam em estar.
Entende-se que o Jardim de S. Lázaro feche cedo. Não por questões de segurança mas porque o jardim tem de encerrar quando os pássaros se calam. O que ali se viveu durante o dia será enxugado enquanto o sol se põe. Começara então a sessão da noite que, em panavision ou não, será de um filme fantástico, impenetrável para o comum dos mortais. Depois, de manhã o jardim, abrirá as portas de novo com um filme para todos.
Mas estas conjecturas não estavam previstas. A minha intenção era, com esta fotografia, novamente colar num post da Galena palavras de Eugénio de Andrade.

VEGETAL E SÒ

É outono, desprende-te de mim.

Solta-me os cabelos, potros indomáveis
sem nenhuma melancolia,
sem encontros marcados,
sem cartas a responder.

Deixa-me o braço direito,
o mais ardente dos meus braços,
o mais azul,
o mais feito para voar.

Devolve-me o meu rosto antigo,
sem lágrimas sepultadas nos lábios,
sem nenhuma criança acordada
nas pálpebras pesadas.

Deixa-me só, vegetal e só,
correndo como um rio de folhas
para a noite onde a mais bela aventura
se escreve exactamente sem nenhuma letra.

Eugénio de Andrade