16 de março de 2007

duas margens


Ponte da Arrábida, Porto, anos 60.
duas margens

quando o tempo
me cobrir os céus
com a anágua suja
da tua espera
e teus lábios
forem duas margens
um
gritando calmaria
outro
clamando tempestade
eu voltarei
de corpo e barco
e por ti seguirei minha viagem

navegarei
entre teus braços
e segredos
eu serei teu búzio
tu
serás meu degredo

Lúcio Lins

2 comentários:

Jailma Rocha disse...

Adorei o poema, "DUAS MARGENS", Brasil/Portugal, o Oceano a separar, mas o sentimento de amizade e carinho ligará sempre um ao outro.

Anónimo disse...

Lindo o poema....
Imagino como uma mulher se senti ao receber tão lindo texto.
Difícil não se apaixonar..