23 de fevereiro de 2009

Felicidade e estilo


Os palácios, onde ainda há pouco rastejavam caudas de veludos caros e a luz dos lustres punha cintilações nos dourados das molduras, são abrigo de vidas e camas de convalescentes. Tempos de guerra reportados na revista feminina Modas e Bordados de 01/12/1943. Nesse número publicava-se este anúncio onde se referia que deparar com a felicidade «às vezes é uma questão de pormenor». A ilustração é bem explícita : a boa sorte é fruto de escolhas como a do Baton Khasana, comercializado então pela Mme Maria da Conceição do Largo de S. Domingos, no Porto.
Embora Portugal não tenha sido uma das nações beligerantes, o país encontrava-se em dificuldades devido a dois anos sucessivos de más colheitas e a problemas com o acesso a bens essenciais que nos eram fornecidos por nações em guerra. E ontem (como hoje, afinal), a minúcia do uso do bâton podia suprir a dificuldade de acesso a vestuário e gadgets de adorno.

15 de fevereiro de 2009

Próxima paragem Lácio


Foto de Alberto Guimarães

Próxima paragem Lácio. Sinto-me já prestes a aportar no Tirreno enquanto os carros seguem vagarosamente para perto das palmeiras da Foz ou Matosinhos She Moves. Dentro dos carros casais silenciosos que visivelmente se sentem velhos demais e para mim se afiguram muito novos para apenas procurarem a própria dor arejada de que falava Torga em Ar Livre. Crise da meia idade. Crise. Um polícia atento de arma em punho no interior do que foi um lar e onde se espalham destroços. Luz e sombras de Picasso ou Chirico. Luz. No mesmo jornal, Antonio Muñoz Molina escreve sobre a morte lenta de Susan Sontag. Percebo. Porque já não tenho medo do escuro. A partir de ahí el libro es una pesadilla iliminada por una claridad como la que no se apaga nunca en los corredores de las clínicas… Ontem foi sexta-feira 13, hoje namorados transportam desajeitadamente ramos de flores. A miúda em frente a mim diz que não se importa de eu quase lhe ter deitado as flores ao chão. Ela não gosta de flores. Volto ao meu MP3. E me apraz essa ilusão à toa apesar das crianças de Sabra e Chatila. Johnny Alf nos ouvidos. Final de tarde de sábado.

9 de fevereiro de 2009

Visões do Porto (19)


Foto de Alberto Guimarães

Uma das portas do Hospital de Santo António na Rua Dr. Tiago de Almeida.

5 de fevereiro de 2009

Rumo ao sul


Vinheta de O Ceptro de Ottokar, As Aventuras de Tintim, Hergé

Espinho, 18 – Hoje, cerca das 3 horas da tarde, sentiu-se ao longe, para os lados do sul, o trepidar do motor de um hydro-avião que marchava em direcção a Espinho.
Mettido a terra, effectivamente o magnifico apparelho voador, logo que chegou a Espinho baixou bastante; nas alturas da rua Bandeira Coelho, descreveu uma curva e mettendo-se ao mar seguiu novamente o rumo sul.
Do hydro-avião cahiram papeis, que a vibração levou para o mar, não se sabendo, por isso, o que diziam.
A´ praia afluíram bastantes pessoas gosando o lindo voo do hydro-avião.

in O Comércio do Porto, 19 de Junho de 1925

As notícias importantes perduram. Como esta, sobre um aparelho voador que sobrevoou Espinho numa tarde de Junho de 1925. A estória de um hidroavião que subitamente aparece e entusiasma as pessoas com um, como o escriba não se coíbe em classificar, lindo voo, para depois desaparecer rumo ao sul, é tocante como um haikai. E de um encanto perdurante.

31 de janeiro de 2009

Visões do Porto (18)


Foto de Alberto Guimarães

Praça D. João I. Enquanto não chega o tempo solar.

23 de janeiro de 2009

Visões do Porto (17)


Foto de Alberto Guimarães

Outro cenário do Porto: o Teatro Nacionad São João e a Praça da Batalha com neblina, ontem à tarde.

22 de janeiro de 2009

Avenida dos Aliados


Foto de Alberto Guimarães

Avenida dos Aliados. Continuo a não sair ileso de uma vertigem de cinzento quando ali passo. E com o céu plúmbeo, sinto, ainda mais, falta da reserva de conforto visual que eram os canteiros de flores, os bancos vermelhos e os desenhos na calçada, tirados com a requalificação daquele espaço. Já ninguém se indigna?

17 de janeiro de 2009

Visões do Porto (16)


Foto de Alberto Guimarães

Luz e cores de um final de tarde de Inverno na Rua da Torrinha, Porto.

14 de janeiro de 2009

Giselle na Praça dos Poveiros


Foto de Alberto Guimarães

Para quebrar o gelo, Giselle a quebrar o encanto das willis, numa parede da Praça dos Poveiros, no Porto.

9 de janeiro de 2009

O silêncio da neve















Fotos de Alberto Guimarães

Neve hoje em Lousada. Apesar do bulício das pessoas que se abrigavam da neve ou das que com ela se divertiam, apesar do ruído dos meus sapatos a afundarem-se no branco, notei que o que se fazia notar era o silêncio da neve. O silêncio da neve, uma impressão que me ficou de um livro de Orhan Pamuk.

4 de janeiro de 2009

Leite bom


Vacas profanas ou sagradas mas que não derramam leite na cara de caretas nem de ninguém. Estas crianças ingerem directamente, através de tubos, provindo das tetas das vacas, leite bom que não molhará as suas carinhas. Imagem bizarra esta, cuja origem a Galena não consegue saber, pois trata-se de um postal colado. Apologia dos leites não enriquecidos? Algum tipo de tratamento intensivo, perdido no tempo, da desnutrição infantil? Ou uma alusão à necessidade de controle da cadeia produtiva e distribuidora do leite, que dizem as notícias embaratece no produtor e, constata-se, não desce de preço nos supermercados portugueses? Sabe-se lá! Eu continuo a ouvir Caetano a cantar. Meu mundo Thelonius Monk`s blues.

31 de dezembro de 2008

Reveillon


Foto de Alberto Guimarães

Pormenor da intervenção Les Voisins de Ricardo Jacinto, Culturgest, Porto, Março de 2008.

Boa passagem de ano, feliz 2009 para todos!