11 de agosto de 2008

Cores do Porto (2)


Foto de Alberto Guimarães

Porque o prazer não é apenas azul, outra fantástica manifestação de cor na luz crua do Porto. Reside alguma jactância na pintura deste edifício da Rua Alferes Malheiro, uma ostentação que gosto de saborear.

10 de agosto de 2008

Prazer azul


Foto de Alberto Guimarães

Desfazer a mala. Já com saudade dos finais de dia naquela esplanada azul na Praia de Puço Pucinho. O prazer de ter o ípsilon para ler e não o fazer. Prazer azul ponto final. Como está escrito nos guarda-sóis. Surround (sem ditadura de música de fundo): gaivotas, o mar de Vila Chã até aos penedos de S. Paio, talheres de quem já janta lá dentro. Não bastasse o mar, ter ainda para ver uma praia de Visconti a desmontar-se lá em baixo, os campos a sul para entrever! E um gato a espreitar.

Esta rua é alegre


Foto de Alberto Guimarães

Sexta-feira passada, dia oito de Agosto, defronto-me em Vila do Conde com Esta rua é alegre. O poema de Ruy Belo colocado por acto sensível ali na parede.
Quando chego a casa e abro o Público, verifico que nesse mesmo dia passaram trinta anos sobre o falecimento do poeta...

Esta rua é alegre. Não é alegre uma rua anónima
mas a rua de são bento em vila do conde
vista por mim certa manhã após a chuva
e o nevoeiro a dissipar-se já junto de santa clara
E no entanto não é a rua de são bento que é alegre
Alegre sou eu. E nem mesmo é que eu seja alegre
Acontece simplesmente que me sirvo destas palavras
numa manhã de chuva para falar falar por falar
e não falar de mim ou de uma certa rua
Não costumo por norma dizer o que sinto
mas aproveitar o que sinto para dizer alguma coisa
Isto, porém, são coisas que há já algum tempo se sabem
e talvez venham aqui para salvar este momento
para salvar romanticamente este momento
ou então para ilustrar um pouco desta vida que se perde
e não só ao viver-se mas ao pensar-se sobre ela
ao atraiçoá-la tantas vezes como condição indispensável do poema
Mas que dizia eu? Dizia apenas "esta rua é alegre"
O mais é só comigo e com a subjectiva forma como passo a minha vida

Ruy Belo

28 de julho de 2008

As janelas


Foto de Alberto Guimarães

As janelas
abrem sobre as fontes.

Abrem para o esplendor
dos juncos altos e das dunas,

para a extrema embriaguez
de um corpo nu nas areias.

As janelas abrem para a loucura
da sombra de um lírio entre as pernas.

Abrem para a luz extenuada
e masculina das colinas,

para as águas tresmalhadas,
para a língua em chama nas virilhas.

As janelas abrem para a doçura
da morte prometida nas espadas.

Eugénio de Andrade

18 de julho de 2008

Cicatrizes do Sol


Foto de Alberto Guimarães.

Fiz o que se deve fazer numa noite de Verão. Ouvi Ella a cantar Summertime. Para não entrarem os insectos cerrei as cortinas e através delas espreitei a lua cheia e as sombras. Cansado já de sondar os rumores desta madrugada de calor brando, para tudo fazer mesmo sentido, peguei num livro. Le silence d´une étoile/échangé contre un peu d´eau. E então, a fechar o círculo para a imagem que quero expor: le mur/habillé de chau/compte les jours captifs de ses pierres. Tahar Ben Jelloun, o poeta de Cicatrices du soleil. Na madrugada.

16 de julho de 2008

Travessa de Liceiras


Foto de Alberto Guimarães

Numa cidade onde muitas ruas são íngremes, pode não ser apetecível circular de bicicleta. De todo modo esta foto foi feita no Porto. Uma das portas de um belo frontispício da Travessa de Liceiras, freguesia de Santo Ildefonso.

13 de julho de 2008

Parque da Cidade, Penafiel


Foto de Alberto Guimarães
Situado na cidade de Penafiel, no Vale Sudoeste, junto ao rio Cavalum, integrado no vale do Rio Cavalum, o Parque da Cidade proporciona aos seus visitantes e à comunidade em geral, o usufruto de um espaço privilegiado como área de lazer e de educação ambiental /cultural. O Parque da cidade resulta de um projecto a desenvolver em diversas fases dispondo actualmente de um Parque Infantil, Parque de Merendas, Instalações Sanitárias, Parque de Estacionamento, Espelho de Água e Jardim de Plantas Aromáticas.

Hoje de manhã estive no Parque da Cidade de Penafiel. Confiro o que dizem as palavras acima que extraí do site da Câmara Municipal de Penafiel.
Embora eu seja distraído, pareceu-me ver um acrescento de construções em redor do parque, relativamente à primeira vez que o visitei. E os negócios imobiliários evidenciam-se ali, pois também nas cercanias do Parque avistei uma placa anunciando “vende-se quintinha”.
De uma coisa tenho a certeza: quem tiver uma casa virada para o Parque goza de boa vista, contudo isso já não acontece a quem no espaço privilegiado observa as construções que se erguem.
Esta fotografia, este assunto, talvez não devessem estar na Galena. Afinal nada têm de transcendentes e são comuns a outras plagas.

11 de julho de 2008

Cores do Porto


Foto de Alberto Guimarães

Se há cidades onde as cores se estendem sempre sobriamente, o Porto não é uma delas. Como uma noite de S. João a contrariar o recato da cidade, também a todo o momento, em algum recanto, surgem explosões inesperadas de cores. No filme do Porto desdobram-se fotogramas só qualificáveis como subliminares.

30 de junho de 2008

Lavadeiras



Protegendo-me dos raios UV de ontem, assisti mais uma vez a Aldeia da Roupa Branca de Chianca de Garcia. E lembrei-me desta foto esplenderosa que repousava em As Minhas Imagens, esperando uma oportunidade de saltar para a Galena. Sem certeza, parece-me que se situa na costa de Espinho nos anos 40. Cliquem na foto para a ampliá-la, vejam os pormenores.

28 de junho de 2008

Intervalo para publicidade


Gastar o tempo a cultivar a terra, usando sementes ordinárias, é o mesmo que perdêl-o a pentear um careca!...

Anúncio publicado na num opúsculo da «Livraria do Lavrador». Portugal, 1928.
Alguém esclarece a Galena desta dúvida: o penteado, as calças e os sapatos do cabeleireiro eram demonstrações da moda de então, ou um aludir do desenhador a atitudes comportamentais do profissional do pente?

23 de junho de 2008

S. João


Foto de Alberto Guimarães

A Galena já só pensa na rambóia...

21 de junho de 2008

Janelas



Fotos de Alberto Guimarães

Não é preciso usar o zoom. Elas estão ali ao meu alcance enquanto a tarde vai esmorecendo. As janelas do Porto são muitas vezes indiscretas mas a verdade é que agora apetece saber o que se passará lá dentro. Naquelas mais resguardadas de um edifício da Rua Santos Pousada ou nas menos inconfidentes da Rua de Entreparedes.