12 de maio de 2008

Vermelho


Foto de Alberto Guimarães

Poderá o horizonte não ser vermelho. Mas as portas da Galena são.

11 de maio de 2008

25 de Abril 1974


Onde está o Wally? Não! Uma imagem de 25 de Abril de 1974 ou dos dias imediatos. O Musicalíssimo, publicação musical já extinta que se proclamava «jornal da cultura jovem», na sua edição de 4 de Maio de há trinta e quatro anos, saudava a mudança de regime político em Portugal com esta fotografia: jovens que tomaram um veículo da polícia, que se veja, perante o olhar de soldados, um marinheiro e de polícias, pois então. Como se pode constatar, este episódio foi protagonizado apenas por representantes do sexo masculino. As moças talvez estivessem em casa a colar nos cadernos fotos de David Cassidy.

1 de maio de 2008

Maio


Fotos de Alberto Guimarães

A Galena com maias na porta, nas janelas...

24 de abril de 2008

Bob Dylan


Já agora, esta era a capa da Vida Mundial de 13/08/1971.

Intervalo para publicidade - Triple Marfel


Na arena da moda camisa rosa negra, em autêntica cambraia fresca, leve e elegante. Camisa rosa negra, a camisa com o monograma da distinção.
Na Galena, mais um sempre apreciado intervalo para publicidade, desta vez com um anúncio publicado na extinta revista portuguesa Vida Mundial, em 13/08/1971. A Triple Marfel de Felgueiras, empresa fundada nos anos 50, continua a produzir em pleno dinamismo e com distinção.
Pessoalmente, encanta-me a pin-up ibérica escolhida para esta publicidade.

22 de abril de 2008

Porto, cidade-campo



Fotos de Alberto Guimarães.

Algum tempo atrás publiquei aqui uma foto que mostrava o cenário de um dos últimos redutos rurais da cidade do Porto. Eles ainda existem. Dispersos mas a rarearem. Este fenómeno de vivências de ruralidade em plena malha urbana (ou será o contrário apesar da actual desproporção?) é insólito mas torna o Porto e as suas periferias numa região onde ainda não se sentirá tanto o que poderá ser a consternação urbana.
Onde existem mais bolsas rurais dento do Porto é no Vale de Campanhã. Foi ali, em Azevedo, que me cruzei ontem com um rebanho em auto-gestão, com um pastor ausente quiçá para almoçar num centro comercial. Mas quem ali costuma passar, sabe que até se me podia pôr diante um carro de bois. Que continue assim o Vale de Campanhã, com muito verde (pinheiros-bravos até) e as ovelhas e cabras a atrapalhar o trânsito.

19 de abril de 2008

Endless rain


Ponte do Freixo vista da janela do bar do CACE Cultural Porto, ontem à tarde.
Foto de Alberto Guimarães

Não é uma chuva sem fim. Ela de facto pára por vezes mas ainda não vi o arco-íris. Quando o sol momentaneamente surge, olho pela janela e tento encontrar as cores do arco celeste. Cores que uma mnemónica ritmada que ouço dentro da minha cabeça me ajuda a lembrar e sequenciar: vermelho lá vai violeta. Tenho também, para editar a banda sonora destes dias de primavera tempestiva, além da música da chuva a cair e do vento a zurzir, uma canção dos X-Japan a tocar no rádio: endless rain, let me stay / evermore in your heart / Let my heart take in your tears/ take in your memories.

13 de abril de 2008

Oleiros



Que imagem é esta? Em concreto, não sei. Presumo que date dos anos 20. É um postal que só tem uma face, não me perguntem porquê, não respondo. A fotografia vive e vale por si, mesmo sem a aquiescência de dados ou uma justificativa que ela ilustrasse. Esta família parece que vivia da olaria. E eram os varões que moviam as rodas e moldavam o barro. A mãe tem um ar débil e consumido e a filha mais velha, ainda criança, toma conta de um bebé. Como terá sido a continuação da vida destas pessoas? O ar decidido dos três oleiros terá conseguido fazer desaparecer o tom desencantado de toda a família? Quero crer que sim. Vieram peritos / em habilidades / dizer que a fortuna cresce nas cidades, canta o Sérgio Godinho em Barnabé. Aquele Portugal já não existe embora estes rostos estejam aí. Ou chegam todos os agostos de para lá dos Pirinéus a conduzir mercedes e bmw’s. Nesta foto está o antes e o agora.

9 de abril de 2008

No Porto


Foto de Alberto Guimarães

Aqui, como em qualquer cidade, há muita gente que caminha sozinha. Mas no Porto ainda resta tempo para as pessoas se encontrarem e conversarem. Por vezes sob uma luz extraordinária.

31 de março de 2008

Azul


Foto de Alberto Guimarães

Azul(1)

Eu era contrário ao Azul.

Eu desconfiava de sua ubiqüidade

Eu era anti-Klein (2), Yves Klein era um artista cheio de si, um poseur.

Eu costumava dizer que o azul não existe enquanto cor, que o azul do céu é uma ilusão. Isso, porque o céu não é algo concreto, mas um vazio que - como todos sabem através do fenômeno da noite e das odisséias espaciais - é negro. Se o mar é um reflexo do céu, seu azulado também é uma ilusão - ou pior - uma ilusão de uma ilusão.

O azul do olho é um truque da luz, concebido para sustentar eugenias germânicas. Se você tentasse extrair o azul do olho, não conseguiria.

Impossível reter cristais azuis ou fluido azul na palma da mão. Miosótis são azuis. Bem-me-quer, mal-me-quer azul. Já sinto o azul no cerne azulado da própria flor.

Lápis-lazúli ? Entramos na zona do difícil. O azul foi feito para ser exclusivo da Virgem Maria, colhido das minas longínquas das Montanhas Urais. A quintessência da imaginação religiosa. Jacintos, celacantos, a baleia azul - anomalias, híbridos, quimeras.

Difícil ser contrário ao azul para sempre. Continuei tentando.

Fiz um filme em Roma chamado A Barriga do Arquiteto. Eu quis jogar o jogo dos opostos. Eu quis que o filme se limitasse a dois conjuntos conceituais de cor. Primeiro, as cores do filme deveriam ser encontradas apenas no corpo humano - preto, branco, marrom, rosa, cinza, sépia - nenhum verde ou azul. Depois, as cores do filme deveriam ser estritamente relacionadas às cores da arquitetura de Roma - os muros e os telhados, os ladrilhos e o mármore. A mesma combinação de cores do corpo humano.

No filme, usamos filtros especiais para anular a cor do céu e apagar a cor das árvores. Fiz algumas raras concessões ao verde, já que o verde era a cor do inimigo. Os vilões usavam gravatas verdes e dirigiam carros verdes. Quando o corpo humano entra em decomposição, torna-se verde. Mas os limites do azul estavam se rompendo.

Eu nada tinha a ver com o "blue jay's wing" acompanhado pelo "Blue Jay Way" de George Harrison, ou com uma pena azul do rabo do pavão, e a KLM, a companhia aérea holandesa, ou o azul das asas no vôo do avião. O azul que, sombrio, se desvia para o infinito. O sangue azul para a nobreza fisiológica do corpo. Ou Gorgonzola, o queijo azul, substituído pelo Stilton Azul inglês com amoras, para um comer azul.

Ou Sinatra como o "Old Blue Eyes", os "Blue Suede Shoes" de Elvis Presley, O "Danúbio Azul" de Strauss, a nota azul, o triste azul, o "Barba Azul" de Bella Bartók. Os azuis e os pauis, uma memória azul, o "tudo azul, completamente blue", de Cazuza para cantar e dançar(3) . Um peixe azul em exílio nas águas de Zurique. As fichas azuis no cassino de San Remo. O brilho do gelo azul para os diamantes da África do Sul. Um rumor azul, o azul absurdo de um nu. Um lápis azul para resumir a dor. As garatujas da esferográfica azul de Derek Jarman, Jan Fabre e Amish Kapoor. Para uma arte azul. No cinema, a "Imensidão Azul" e "A Lagoa Azul".

Uma gorjeta azulada, a nota de 10 florins com a efígie de Frans Hals em azul. Por que os italianos colocam grandes pintores em notas grandes e os holandeses põem grandes pintores em notas pequenas?

E inumeráveis clichês e provérbios - Faça um rio azul ascender pela coluna e alcançar o lótus das mil pétalas. Um vento azul não sopra nada além do azar. A ágil raposa azul salta sobre o preguiçoso cão azul. Quem vive em uma casa azul não deveria azucrinar o vizinho. Ficar azul de ódio. O "tudo azul", o zum-zum da abelha de Azure. Zoom. Harry Bloom, Bloomingdales, o manto azul do gato persa, o azul-calcinha, o azul-fantasma, o quarto azul, o trem azul, azulejos. Fui vencido(4).

Azul


Ai! (uma expressão muito azul) - parece que o azul tomou conta de tudo. Já não posso seguir no meu antagonismo à cor. Tanto mais que Giovanni Bogani encontrou, em seu romance Blu, ainda muito mais azul.

Peter Greenaway

Notas

(1) Este texto é o prefácio que Peter Greenaway escreveu para o romance "Blu", do escritor italiano Giovanni Bogani.
(2) Ives Klein, artista plástico francês (1928-1964), que fez vários trabalhos monocromático em cor azul.
(3) Versão livre de: 'Blue moon, I saw you standing alone', for singing and dancing".
(4) Este parágrafo foi totalmente "transcriado" a partir de expressões brasileiras e provérbios orientais.

Tradução: Maria Esther Maciel. Transcrito, com a devida vénia, da Revista Zunai http://www.revistazunai.com.br

21 de março de 2008

Primavera


Lago do Jardim de S. Lázaro no Porto e escultura de Sérgio Taborda.
Foto de Alberto Guimarães

Vejo (sinto) o lânguido dorso a abraçar a minha sombra que ali é tão bem recebida como os reflexos do céu ou de algum dos telhados vizinhos. Se eu me voltar, a beleza continuará numa deslumbrante fachada barroca ou em canteiros ornados com coloridas flores. Mas sustenho-me neste lago e no verde tenro que o cerca. Respiro o ar ainda fresco da manhã e assim dou as boas vindas à Primavera.

17 de março de 2008

Nivea Creme Art-Nouveau




Nem sempre se apresentaram de azul e branco as latinhas do Nívea Creme. O visual com as cores que lhe reconhecemos de imediato teve início em 1926. Era assim, com uma decoração art-nouveu, que se lançava em 1911 na Alemanha o alvo creme onde sempre apetece afundar os dedos.