28 de fevereiro de 2008

O tempo


Foto de Alberto Guimarães

Nas traseiras da rua do Freixo e da desmantelada fábrica Mário Navega, fica, quase escondida, a Rua do Arco de Noeda. O inesperado arco interrompido na fábrica abandonada, um empedrado inusitado, a casa ténue, o silêncio... e o vagar. Aqui o tempo parece ser outro.

Almoçar em casa


Foto de Alberto Guimarães

Há um Porto que vai almoçar a casa, que vive em casas sem esquadrias perfeitas e com alvenaria ornada de cores vivas. Um Porto que não mudou para assépticos e incaracterísticos subúrbios. Ainda.
O registo da fotografia assinala as 13:38 de ontem. Rua do Freixo, Campanhã.

20 de fevereiro de 2008

Bus 507



Duas fotografias um tanto insólitas, feitas hoje por volta das 10 horas da manhã no bus 507, sentido Leça-Porto: inusitada temperatura amena permite aprazíveis passeios de bicicleta na praia de Matosinhos em pleno Inverno. E em Monte dos Burgos, no meio da massa urbana, ainda se pode ver da Circunvalação, uma bucólica cena rural com tractor.

Stuart



Outra capa da responsabilidade de Stuart Carvalhais. A pauta de A Casinha da Colina, canção da dupla brasileira Os Geraldos. Canção e dupla foram muito populares em Lisboa nos anos 20.

19 de fevereiro de 2008

Mais vale andar no mar alto...



Segunda-feira, 11 de Maio
Esta tarde, no Museu do Cairo, entre um sorriso doce da princesa Nafrit e um olhar desconfiado dessa velha águia real que é o faraó Ramsés II, os meus olhos poisaram sobre a múmia pálida de Tut-Ank-Amon. Uma luz doirada, que caía do alto, iluminava o cristal da urna funerária. À minha volta, em meio de um silêncio sepulcral, erravam sombras milenárias. Nos vasos de alabastro, animavam-se as figurinhas elegantes do primeiro império. Uma penumbra doce envolvia no seu leito de morte a figura melancólica do faraó. Nos seus lábios tristes pairava um resplendor de eternidade.

Este é um dos apontamentos de viagem redigidos por esse proeminente jornalista português que foi Norberto Lopes (1900-1989)em "Mais vale andar no mar alto...". Um livro escrito sobre o mar. No recolhimento da câmara de um navio de guerra, à hora em que as embarcações dormiam sobre os turcos, eu ia traçando rapidamente as minhas impressões num diário de viagem. Palavras do prefácio que o autor concluía com convicção: (..) viajar é viver numa eterna ilusão, num eterno sonho de felicidade, num eterno encantamento dos sentidos e o homem vive muito mais de ilusões, de sonhos e de quimeras do que da nudez triste da realidade. A ilustração da capa saiu da proficiência de Stuart Carvalhais (1887- 1961). Creio que o elegante grafismo da capa seja também de Stuart, artista sobre quem se pode encontrar muita documentação na internet, como teria de ser tratando-se de alguém que nos legou obra notável no domínio da ilustração e da caricatura, entre outras áreas, designadamente a banda desenhada de que foi um pioneiro.
Este livro, que tive de ler e colocar no scaner com todo o cuidado, data de 1925.

13 de fevereiro de 2008

SHAZAM!



Qualquer apreciador/admirador do Capitão Marvel sabe da injustiça deste super-herói não ter sido nos últimos anos móbil de adaptação para cinema das suas aventuras.
Parece que o caso está sanado. O realizador Peter Segal vai levar às telas os lances extraordinários e divertidos de Billy Batson/Capitão Marvel. A notícia é dada por Rafael Tavares no blog Continuum (ver links). O Rafael teve a amabilidade de me enviar um recado pelo Orkut a dar conta do post. Foi assim motivo para eu conhecer o blog que ele integra, o qual achei, embora despretensioso, muito bem elaborado e cheio de curiosas informações sobre BD e não apenas.
Agora, esperemos que a nova investida do Capitão no cinema, faça jus ao imaginário das estórias em quadradinhos e à riqueza gráfica e que os seus autores sempre estamparam.

2 de fevereiro de 2008

Entrudo


Porque ninguém é de ferro, aí temos o Carnaval. Antes que seja quarta-feira, que se comecem a delir todas as fantasias, a Galena faz o seu intróito no folguedo.

26 de janeiro de 2008

Bolhão transcendente

Algumas imagens, só algumas, de um Bolhão sempre transcendente.









Fotos de Alberto Guimarães.

25 de janeiro de 2008

Bolhão


Foto de Alberto Guimarães

A delineada destruição do Mercado do Bolhão, é motivo para uma interessante perspectivação por parte do Arquitecto Manuel Correia Fernandes no Jornal de Notícias de hoje. Infelizmente não encontrei na edição on-line (para aqui colocar um link), a crónica onde são percorridas reflexões «para além das questões mais evidentes dos valores patrimoniais que estão em jogo». Para o Arquitecto M. C. Fernandes, o desaparecimento de mercados como o Bolhão, acarretam perversos resultados que se prendem «com a “ditadura” das grandes superfícies não só sobre os habitantes das cidades, como, também, sobre os habitantes dos campos enquanto produtores agrícolas que, sendo pequenos, (como são quase todos em Portugal) não podem ombrear com os grandes compradores e distribuidores…».
Escreve ainda «…se por maldade ou incúria dos homens – como acontecerá se o Bolhão for destruído – se quebrarem os elos duma cadeia vital, os resistentes de hoje serão os desistentes de amanhã e o que é, ainda hoje, espaço natural, produtivo e saudável, será amanhã… mais cidade»
De forma incisiva, termina o cronista « …também por tudo isto, se o nosso Bolhão desaparecer é um pouco de nós todos que também desaparece! Mas isso só acontecerá se quisermos».

24 de janeiro de 2008



Chamada de atenção para o novo link MERCADO DO BOLHÃO, ali no lado direito.

8 de janeiro de 2008

Sustentação


Foto de Alberto Guimarães


Quem ficou suspenso fui eu. Estas mulheres só podem ser ana e alice, a decomposição de um todo nos seus elementos. E a incorporação. Leminski sustenta (me).

ana vê alice
como se nada ali visse
como se nada ali estivesse
como se ana não existisse

vendo ana
alice descobre a análise
ana vale-se
da análise de alice
faz-se Ana Alice

Paulo Leminski

6 de janeiro de 2008

Ciclista




Continuo a revolver o baú de forma a partilhar antigas publicidades que julgo poderão interessar a quem visita habitualmente a Galena, ou aqui chega através de uma qualquer busca no Google.
Desta vez mostro uma imagem, que além de ter um preservado, ou até reforçado encanto devido à sua pátina e à nostalgia demandada, se mostra considerável quando contextualizada no Portugal moralizante da época. Trata-se de um anúncio da Companhia Nacional de Pneus, S.A.R.L., do Porto, em forma de calendário de bolso para o ano de 1953. A imagem era porventura ousada e, penso, seria necessária alguma audácia para a mandar imprimir. Olhando a desenvolta ciclista, e avocado de licenciosidade, pergunto-me: qual seria o target do calendário: os jovens aficionados dos velocípedes? Seus pais? Os garagistas?
Com uma classe média detentora de aumento do seu poder de compra, e com a adopção das técnicas mais modernas, a publicidade portuguesa produziu nos anos 50 consequentes e interessantes trabalhos.
Prosseguirei a mexer no baú.