26 de janeiro de 2008

Bolhão transcendente

Algumas imagens, só algumas, de um Bolhão sempre transcendente.









Fotos de Alberto Guimarães.

25 de janeiro de 2008

Bolhão


Foto de Alberto Guimarães

A delineada destruição do Mercado do Bolhão, é motivo para uma interessante perspectivação por parte do Arquitecto Manuel Correia Fernandes no Jornal de Notícias de hoje. Infelizmente não encontrei na edição on-line (para aqui colocar um link), a crónica onde são percorridas reflexões «para além das questões mais evidentes dos valores patrimoniais que estão em jogo». Para o Arquitecto M. C. Fernandes, o desaparecimento de mercados como o Bolhão, acarretam perversos resultados que se prendem «com a “ditadura” das grandes superfícies não só sobre os habitantes das cidades, como, também, sobre os habitantes dos campos enquanto produtores agrícolas que, sendo pequenos, (como são quase todos em Portugal) não podem ombrear com os grandes compradores e distribuidores…».
Escreve ainda «…se por maldade ou incúria dos homens – como acontecerá se o Bolhão for destruído – se quebrarem os elos duma cadeia vital, os resistentes de hoje serão os desistentes de amanhã e o que é, ainda hoje, espaço natural, produtivo e saudável, será amanhã… mais cidade»
De forma incisiva, termina o cronista « …também por tudo isto, se o nosso Bolhão desaparecer é um pouco de nós todos que também desaparece! Mas isso só acontecerá se quisermos».

24 de janeiro de 2008



Chamada de atenção para o novo link MERCADO DO BOLHÃO, ali no lado direito.

8 de janeiro de 2008

Sustentação


Foto de Alberto Guimarães


Quem ficou suspenso fui eu. Estas mulheres só podem ser ana e alice, a decomposição de um todo nos seus elementos. E a incorporação. Leminski sustenta (me).

ana vê alice
como se nada ali visse
como se nada ali estivesse
como se ana não existisse

vendo ana
alice descobre a análise
ana vale-se
da análise de alice
faz-se Ana Alice

Paulo Leminski

6 de janeiro de 2008

Ciclista




Continuo a revolver o baú de forma a partilhar antigas publicidades que julgo poderão interessar a quem visita habitualmente a Galena, ou aqui chega através de uma qualquer busca no Google.
Desta vez mostro uma imagem, que além de ter um preservado, ou até reforçado encanto devido à sua pátina e à nostalgia demandada, se mostra considerável quando contextualizada no Portugal moralizante da época. Trata-se de um anúncio da Companhia Nacional de Pneus, S.A.R.L., do Porto, em forma de calendário de bolso para o ano de 1953. A imagem era porventura ousada e, penso, seria necessária alguma audácia para a mandar imprimir. Olhando a desenvolta ciclista, e avocado de licenciosidade, pergunto-me: qual seria o target do calendário: os jovens aficionados dos velocípedes? Seus pais? Os garagistas?
Com uma classe média detentora de aumento do seu poder de compra, e com a adopção das técnicas mais modernas, a publicidade portuguesa produziu nos anos 50 consequentes e interessantes trabalhos.
Prosseguirei a mexer no baú.

31 de dezembro de 2007

Réveillon



Bendita
Mart’nália - Zélia Duncan

Benditas coisas que eu não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Os amores que eu nunca encontrei
Benditas coisas que não sejam benditas


A vida é curta
Mas enquanto dura
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre o amor não mente, não
mente jamais
E desconhece do relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além dos nossos sonhos mais puros
Bom é não saber o quanto a vida dura
Ou se estarei aqui na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa nenhuma

Um bom réveillon, um bendito 2008!

30 de dezembro de 2007

Um rio

Um rio te espera. A notícia que um poema de Eugénio de Andrade me tinha trazido, estaria no desleixo do meu subconsciente. Agosto, na companhia da nortada saio de Vila Chã, Vila do Conde, para um passeio pela praia. Depois de percorrer estradões sobre as dunas, areias e penedos, estou na Praia de Labruge. Súbito diviso uma paisagem bela e nova para mim: um ribeiro sinuoso de água cristalina encontrando-se com mar. As margens são pontuadas por gaivotas que esvoaçam ou deixam as suas patas marcadas na areia. Ignoro inestéticas construções que ali se ergueram e, no caminho contrário ao das águas alcanço deslumbrantes campos.
Venho a saber que se trata não de um ribeiro mas do Rio Onda, ou Calvelhe. Um rio outrora alcançado por caminhos romanos e medievais, onde se construiram vários moinhos.
A minha descoberta da foz do Rio Onda, foi, sem descurar outros, o momento mágico do meu ano, quando algo elemental e telúrico, citando de novo Eugénio, me fez, perto do mar, tropeçar no ar.








Fotos de Alberto Guimarães

29 de dezembro de 2007

Intervalo para publicidade


Portugal, revista ABC, 25/12/1924.

24 de dezembro de 2007

Bom Natal



Eu vi o Pai Natal ao final da tarde, blasé, a esperar alguém chegar para lhe abrir a porta de casa. Mesmo assim o meu espírito de Natal persiste. Bom Natal para todos.

21 de dezembro de 2007

O Inverno




O Inverno. Giuseppe Arcimboldo, 1573.

18 de dezembro de 2007

Café Stop

A ideia era agora publicar outro post sobre o Toddy. Projecto substituído, fica como traço de união a lembrança dos tempos em que um café do Porto exibia cartazes vidrados anunciando que ali se servia «Toddy quente». Esses cartazes foram retirados e o café é hoje um lugar incaracterístico e desolado em termos decorativos, com abuso de pladur e paredes minimalistas, como aliás grande parte dos cafés do Porto e da chamada província. Não é o caso do Café Stop em Paredes, onde tomei um café no final de uma destas manhãs frias de Dezembro. Encontrei ali o conchego que um café deve ter. O que provém, além da decoração e dos objectos exibidos, de algo incorpóreo. Um café torna-se com o tempo num sítio especial.
E, naquele café, quando se olha para o exterior, o panorama pode repentinamente ser azulado pela reflexo ocasional dos belos azulejos da fachada, ou pode fazer-nos deparar com o espanto e o compadecer incrédulo de alguém surpreendido com o anúncio colocado na montra, juntamente com as lotarias de Natal, de um óbito.
Eis o Café Stop.

















Fotos de Alberto Guimarães




12 de dezembro de 2007

Toddy. Outra colher.

Outro anúncio brasileiro do Toddy. Segundo as anotações que estão no Youtube com este vídeo, será um anúncio dos anos 50. Já agora, o pressuposto de que o vídeo antecedente é datado de 1958, tem a mesma origem.
Este spot, em forma de filme de animação, faz notar o Toddy como alimento infantil mas tem subjacente a mesma ideia do anterior de diversidade ou mesmo unanimidade de acolhimento público ao produto. A banda sonora faz o mimetismo necessário do Toddy ao Brasil.