24 de dezembro de 2007

Bom Natal



Eu vi o Pai Natal ao final da tarde, blasé, a esperar alguém chegar para lhe abrir a porta de casa. Mesmo assim o meu espírito de Natal persiste. Bom Natal para todos.

21 de dezembro de 2007

O Inverno




O Inverno. Giuseppe Arcimboldo, 1573.

18 de dezembro de 2007

Café Stop

A ideia era agora publicar outro post sobre o Toddy. Projecto substituído, fica como traço de união a lembrança dos tempos em que um café do Porto exibia cartazes vidrados anunciando que ali se servia «Toddy quente». Esses cartazes foram retirados e o café é hoje um lugar incaracterístico e desolado em termos decorativos, com abuso de pladur e paredes minimalistas, como aliás grande parte dos cafés do Porto e da chamada província. Não é o caso do Café Stop em Paredes, onde tomei um café no final de uma destas manhãs frias de Dezembro. Encontrei ali o conchego que um café deve ter. O que provém, além da decoração e dos objectos exibidos, de algo incorpóreo. Um café torna-se com o tempo num sítio especial.
E, naquele café, quando se olha para o exterior, o panorama pode repentinamente ser azulado pela reflexo ocasional dos belos azulejos da fachada, ou pode fazer-nos deparar com o espanto e o compadecer incrédulo de alguém surpreendido com o anúncio colocado na montra, juntamente com as lotarias de Natal, de um óbito.
Eis o Café Stop.

















Fotos de Alberto Guimarães




12 de dezembro de 2007

Toddy. Outra colher.

Outro anúncio brasileiro do Toddy. Segundo as anotações que estão no Youtube com este vídeo, será um anúncio dos anos 50. Já agora, o pressuposto de que o vídeo antecedente é datado de 1958, tem a mesma origem.
Este spot, em forma de filme de animação, faz notar o Toddy como alimento infantil mas tem subjacente a mesma ideia do anterior de diversidade ou mesmo unanimidade de acolhimento público ao produto. A banda sonora faz o mimetismo necessário do Toddy ao Brasil.

10 de dezembro de 2007

Qualidade...

Toddy, anúncio de TV, Brasil, 1958

2 de dezembro de 2007

Continuação

O Porto é na Galena sempre assunto to be continued.
Mais fotos da cidade, desta vez no meio da fascinante mistura de névoa e outonal dourado propiciados após as chuvas de ontem. Fotos feitas nas traseiras da Rua Cimo de Vila, precisamente no pátio e nas janelas da Pensão Mondariz. Com agradecimentos ao Sr. António.
To be continued.



Fotos de Alberto Guimarães


16 de novembro de 2007

LEGAL


Se é certo que as capas sempre foram uma resultante e um preceito do marketing dos discos, com a inerente necessidade de o design servir esse marketing, com elas propiciou-se novo espaço para se instalarem expressões como a fotografia, o desenho ou a pintura. Não só para melhor vender discos mas também para criar ambientação visual, ou como elemento conceitual, artistas plásticos são responsáveis por muitas capas de vinis ou CD´s: Andy Wharhol, Keith Haring e Robert Rauschenberg, por exemplo. Lembro-me, de repente, de fotos para capas de discos feitas por Robert Mapplethorpe ou Angus McBean.
A capa que reproduzo em cima é do álbum de 1970 LEGAL, de Gal Costa e foi elaborada pelo artista plástico brasileiro Hélio Oiticica. Reproduzo-a do louvável blog Loronix, que teve a sensibilidade de a exibir no seu todo (capa e contracapa). A mesma sensibilidade não tiveram os responsáveis pela adaptação para o CD que possuo, pois além de só mostrarem a frente, reduzem-a numa escala que nem sequer aproveita o 12x12cm.

13 de novembro de 2007

Rua do Almada

A Galena perdeu-se no tempo mas não no espaço. Retomamos exactamente onde localizamos o anterior post. E a partir da Capela do Palacete dos Pestanas, junto à Praça da República, no Porto, descemos a Rua do Almada, via onde onde se encontram belíssimas fachadas oitocentistas. Por detrás de frontípicios irisados pelos seus azulejos e pelas portas e janelas pintadas com cores muito vivas, viveu muita aristocracia portuense. Nas lojas instalou-se um sólido comércio, especialmente ferrageiro. Com o desamparo dos habitantes e comerciantes que dali abalaram, a Rua do Almada mostra-se agora algo decrépita, um pouco como toda a baixa do Porto. O novo comércio algo avant-garde que ali se instalou não é ainda suficiente para a rua recuperar o seu garbo ingénito. Mesmo assim, o encanto da Rua do Almada, esse, apesar de tudo, persiste. Entre o sonho e a realidade.


















Fotos de Alberto Guimarães

30 de outubro de 2007

Soares dos Reis



Foto de Alberto Guimarães

Soares do Reis nasceu há 160 anos. De um helenismo bem manifesto e embebido da observação e estudo da estatuária de mestres franceses e italianos, não obstante, o artista nascido em Gaia, legou-nos obras com uma perspectiva efectivamente portuguesa e de onde trespassa o que se poderá chamar uma profunda portugalidade. O Desterrado é bem exemplo disso.
O aticismo de Soares dos Reis está presente também quando ele elabora em 1880 duas peças em granito para a fachada da Capela dos Pestanas no Porto: as imagens de São José (que aqui se mostra) e São Joaquim onde o artista leva o seu trabalho a harmonizar-se com o estilo gótico do templo. Simples, fulgurantes, cheias de espiritualidade, essas imagens fazem parte de uma miríade de beleza, privilégio do Porto.

22 de outubro de 2007

Sombra e canteiros

Escreve-se no Jornal de Notícias de ontem:
(…) Por encomenda da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) e do Gabinete Comércio Vivo, a empresa CB Richard Ellis, que delineou uma estratégia para a revitalização comercial do coração da cidade a colocar em prática até 2010, aponta, num estudo a que o JN teve acesso, para a escassez de lojas e para a falta de atractividade do comércio na avenida e na Praça da Liberdade. Recomenda, também, mais sombra e canteiros numa zona acabada de recuperar. (…)
E agora?

11 de outubro de 2007

Gatos

Foto de Alberto Guimarães

(...) Contudo e já agora penso
que os gatos são os únicos burgueses
com quem ainda é possível pactuar—
vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!
Servem-se dela, mas do alto, desdenhando-a
...Não, a probabilidade do dinheiro ainda não estragou inteiramente o gato
mas de gato para cima—nem pensar nisso é bom!
Propalam não sei que náusea, revira-se-me o estômago só de olhar para eles!
São criaturas, é verdade, calcule-se,
gente sensível e às vezes boa
mas tão recomplicada, tão bielo-cosida, tão ininteligível
que já conseguem chorar, com certa sinceridade,
lágrimas cem por cento hipócritas. (...)

Excerto de "Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos" de Mário Cesariny.