30 de outubro de 2007

Soares dos Reis



Foto de Alberto Guimarães

Soares do Reis nasceu há 160 anos. De um helenismo bem manifesto e embebido da observação e estudo da estatuária de mestres franceses e italianos, não obstante, o artista nascido em Gaia, legou-nos obras com uma perspectiva efectivamente portuguesa e de onde trespassa o que se poderá chamar uma profunda portugalidade. O Desterrado é bem exemplo disso.
O aticismo de Soares dos Reis está presente também quando ele elabora em 1880 duas peças em granito para a fachada da Capela dos Pestanas no Porto: as imagens de São José (que aqui se mostra) e São Joaquim onde o artista leva o seu trabalho a harmonizar-se com o estilo gótico do templo. Simples, fulgurantes, cheias de espiritualidade, essas imagens fazem parte de uma miríade de beleza, privilégio do Porto.

22 de outubro de 2007

Sombra e canteiros

Escreve-se no Jornal de Notícias de ontem:
(…) Por encomenda da Porto Vivo - Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) e do Gabinete Comércio Vivo, a empresa CB Richard Ellis, que delineou uma estratégia para a revitalização comercial do coração da cidade a colocar em prática até 2010, aponta, num estudo a que o JN teve acesso, para a escassez de lojas e para a falta de atractividade do comércio na avenida e na Praça da Liberdade. Recomenda, também, mais sombra e canteiros numa zona acabada de recuperar. (…)
E agora?

11 de outubro de 2007

Gatos

Foto de Alberto Guimarães

(...) Contudo e já agora penso
que os gatos são os únicos burgueses
com quem ainda é possível pactuar—
vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!
Servem-se dela, mas do alto, desdenhando-a
...Não, a probabilidade do dinheiro ainda não estragou inteiramente o gato
mas de gato para cima—nem pensar nisso é bom!
Propalam não sei que náusea, revira-se-me o estômago só de olhar para eles!
São criaturas, é verdade, calcule-se,
gente sensível e às vezes boa
mas tão recomplicada, tão bielo-cosida, tão ininteligível
que já conseguem chorar, com certa sinceridade,
lágrimas cem por cento hipócritas. (...)

Excerto de "Louvor e Simplificação de Álvaro de Campos" de Mário Cesariny.

10 de outubro de 2007

Argentina

A ditadura militar argentina (1976-1983), deixou marcas que o tempo não apaga, contas com a justiça que não podem prescrever. E Christian Von Wernich, ex-capelão da polícia da Província de Buenos Aires, foi ontem condenado a prisão perpétua pela justiça da Argentina, pena máxima prevista pelas leis locais, por ter participado em sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 privações ilegais de liberdade. "Todos os direitos referidos são crimes contra a humanidade" cometidos na Argentina durante o último governo da ditadura militar, afirmou o presidente do tribunal, Carlos Rozanski.
O mesmo tribunal, em 2006 condenou a prisão perpétua um ex-polícia por violação dos direitos humanos perpetrados contra mais de mil presos.
Em 1978, realizou-se o Campeonato Mundial de Futebol na Argentina. A ditadura encontrou nele uma forma de propagandear-se, de se tentar branquear internacionalmente. Em Portugal, no mês de Maio desse ano, Alexandre O´Neill escreveu o poema que retiro das suas Poesias Completas publicadas pela Assírio e Alvim em 2000:

TAÇA DO MUNDO DE FUTEBOL
(ARGENTINA, 1978)

O estádio River Plate situa-se a 700 mts. dum edifício pertencente à Marinha argentina onde se praticavam as piores torturas.

Em Buenos Aires, no River Plate,
a seis campos de futebol (medidas máximas)
do Centro onde, entre outros primores de jogo,
se chutavam testículos, mamas e cabeças,
a Taça do Mundo ferverá nas mãos de quem a ganhar,
de quem a empunhar, de quem por ela beber
A MERDA DE LÁ TER IDO

A indignação pela repressão e pelo cinismo com que o regime de Buenos Aires usou o Campeonato Mundial motivou então, alguns protestos em Portugal. Alguns. A Juventude Socialista e organizações da extrema-esquerda mobilizaram-se em acções para denunciar o que se passava ao redor dos estádios argentinos. Não muito participante dessas acções foi o Partido Comunista Português. A União Soviética realizava grandes negócios de comércio de trigo com a Argentina.

9 de outubro de 2007

Sétimo Céu



















































(...) Sim, me leva pra sempre, Beatriz / Me ensina a não andar com os pés no chão / Para sempre é sempre por um triz (...)
Beatriz, Edu Lobo e Chico Buarque.
Fotos de Alberto Guimarães, realizadas ontem de manhã no Porto.






6 de outubro de 2007

Durabilidade

Aquando da Segunda Guerra Mundial, Portugal dependia de matérias-primas e diversos produtos indispensáveis, provenientes essencialmente de países envolvidos no conflito. Estando a teia de relações comerciais com o exterior dificultada, problema acrescido a muitos outros, designadamente a especulação e a injusta repartição das riquezas, grande parte da população portuguesa viveu anos de penúria, de dificuldade. Em 1946, já num panorama de pós-guerra, a propaganda da Ditadura, admoestava ainda para «evitar o desperdício» e a que se gastasse «o menos possível». A população, obviamente tinha de seguir esse caminho. Um caminho pouco luminoso, de esconsas ruas e vielas com lampiões que projectavam mais sombras que luz.
Quem tentava dar um contributo para iluminar o país era a Philips. E a sua publicidade acompanhava o ditame oficial. A multi-nacional evocava a sua cumplicidade com Portugal - «a lâmpada que o país conhece» - para depois salientar a grande virtude da lâmpada Philips: «luz económica e duradoira». Como retrata o anúncio reproduzido, publicado na revista Ver e Crer de Março de 1946.
Hoje, a lâmpada incandescente é considerada um hino ao desperdício de energia e tem pela frente um destino pouco duradoiro, com intenções políticas em todo o mundo, de a substituir pela lâmpada fluorescente, essa nova campeã de resistência e baixo consumo de energia…

Coronet (2)

Mais uma atraente capa da Coronet, desta vez relativa a Outubro de 1946. A Coronet era uma subsidiária da Esquire Magazine, e publicou-se entre 1936 e 1971.

2 de outubro de 2007

Inelutável

Capa da revista norte-americana Coronet, de Outubro de 1941.Uma imagem generosa e convenientemente outonal, coerente com a inelutável atenção deste blog para com matizadas e glamorosas personagens femininas.

24 de setembro de 2007

Traductor, Traditor...

"Necessitar any more informação convencê-lo, ou a mulher favorita em sua vida, parar de sugar varas do cancer?" Escrita assim mesmo, preto no branco, esta frase só por si torna risível e divertido o talvez bem intencionado site HEALTHBOLT, localizável em http://www.healthbolt.net/2006/12/11/14-reasons-its-particularly-harmful-for-women-to-smoke/pt/ .
Sem nada se querer depreciar, não será conveniente desprezar o link, no final da página, para o surpreendente conteúdo "Os homens com fome preferem umas mulheres mais pesadas".
Espera-se que este site não seja muito usado pelos jovens alunos de Português, nas suas generalizadas actividades de copy/paste.



23 de setembro de 2007

Outono


O Outono, Giuseppe Arcimbold, 1573.

Intervalo para publicidade


É sabido que nas vindimas, uso frequente, os homens têm para eles o trabalho braçal, enquanto as mulheres entoam canções ou preparam revigorantes refeições. Em 1972, a BASF Portuguesa, promovia o seu produto Polyram, contra o devastador míldio, com este anúncio. Pode-se verificar que a empresa tinha na altura, uma ineludível visão da mulher como elemento lúdico das vindimas.

16 de setembro de 2007

Aquilino

Aquilino na sua casa da Soutosa, em 1944.
«A minha obra é imperfeita e bem o sinto. A sua imperfeição materializada na obra humana, no livro, na estátua, na partitura, é uma hipérbole celeste. Nunca se alcança e quando julgarmos alcançar-nos é miragem (...) E enquanto vivermos, façamos de conta que trabalhamos para a eternidade e que tudo que é produção do nosso espírito fica gravado em bronze para juízes implacáveis julgarem à sua hora».
Discurso de Aquilino Ribeiro proferido à Sociedade Portuguesa de Escritores em 1963, citado por Mário Robalo no Expresso.