16 de junho de 2007

Água de Vidago

Anúncio publicado na revista portuguesa Panorama em 1954.

A Água de Vidago deixou já cair da sua imagem este azul. Esta água mineral é agora apresentada em garrafas verdes, como eu sempre a conheci, ou com rótulos e tampas de diversas cores, quando lhe acrescentam sabores. Mas com este azul, quiçá talvez até o Capitão Haddok apreciasse um copo de Água de Vidago.

10 de junho de 2007

Creio nas árvores que têm raízes mergulhadas

Foto de Alberto Guimarães

Creio nas árvores que têm raízes mergulhadas
Num vasto seio de sono e de silêncio
Donde se arrancaram como um voo

Creio nas árvores que estão junto dos rios
Dando sombra aos pastores e às águas
Creio nas palavras ditas debaixo dos seus ramos
Creio na ninfa presa nos seus troncos.

Sophia de Mello Breyner Andresen

24 de maio de 2007

Maysa

MAÍSA

Um dia pensei um poema para Maísa
“Maísa não é isso
Maísa não é aquilo
Como é então que Maísa me comove me sacode me buleversa me hipnotiza?

Muito simplesmente
Maísa não é isso mas Maísa tem aquilo
Maísa não é aquilo mas Maísa tem isto
Os olhos de Maísa são dois não sei quê dois não sei como diga dois Oceanos Não-Pacíficos


A boca de Maísa é isto isso e aquilo
Quem fala mais em Maísa a boca ou os olhos?
Os olhos e a boca de Maísa se entendem os olhos dizem uma coisa e a boca de Maísa se condói se contrai se contorce como a ostra viva em que se pingou uma gota de limão
A boca de Maísa escanteia e os olhos de Maísa ficam sérios
meu Deus como os olhos de Maísa podem ser sérios e como a boca de Maísa pode ser amarga!
Boca da noite (mas de repente alvorece num sorriso infantil inefável)”

Cacei imagens delirantes
Maísa podia não gostar
Cassei o poema.

Maísa reapareceu depois de longa ausência
Maísa emagreceu
Está melhor assim?

Nem melhor nem pior
Maísa não é um corpo
Maísa são dois olhos e uma boca
Essa é a Maísa da televisão
A Maísa que canta
A outra eu não conheço não
Não conheço de todo
Mas mando um beijo para ela.

Manuel Bandeira in “Estrela da Vida Inteira”, 3ª edição, Livraria José Olympio Editora, 1973.

Este post poderia ter surgido a todo o momento mas foi sugerido hoje pelo facto de ter encontrado um vídeo com Maysa no Youtube. Link:http://www.youtube.com/watch?v=_Ia107Ds01o
Nota: respeitei na transcrição do poema o «Maísa» grafado sem y.


22 de maio de 2007

Livros


Para angariar fundos para a sua biblioteca, o município de Viena lançou uma linha erótica. Por 39 cêntimos de euro por minuto, uma actriz austríaca lê literatura erótica clássica e moderna do outro lado do fio. Anne Bennent debita passagens quentes do fundo «Secreta» da biblioteca, extraídos de obras dos séculos XVIII, XIX e XX. «Recebemos 158 chamadas», informa Suzie Wong, da Wienbibliothek. «Ao todo, foram 660 minutos ao telefone».

Der Spiegel, Hamburgo, transcrito pelo Courrier Internacional de 18/05/07.

Ciente da importância das bibliotecas municipais, e pensando que alguma poderá não dispor de um fundo «Secreta», informo que posso ceder a título de beneficência, alguns exemplares da minha biblioteca pessoal, como estes, por exemplo, de forma a possibilitar a criação de linhas específicas .

19 de maio de 2007

Subway spectrum


Fotos de Alberto Guimarães

Porto, Campo 24 de Agosto. Velhos vestígios da urbe, sedimentos com centenas de anos, permitem fantásticas visões na estação de metro.

18 de maio de 2007

É isso!


É isso! Vou pegar no meu transistor (decididamente mp3 não é chic) e vou para a praia. A vida é bela.

7 de maio de 2007

Pausa que refresca


Hitler ainda resistia na Alemanha, os Japoneses estavam bravos no Pacífico mas a II Guerra Mundial parecia já decidida. Isso transparecia nas propagandas publicadas nas Seleções do Reader´s Digest de Março de 1945. A publicidade passava uma clara mensagem de triunfalismo dos Aliados: “Sim, depois da Vitória, tenham em vista Philco para primazia em rádio”. Assinalava-se também a percepção da importância daquele dias: “ As gerações do futuro vão referir-se aos tempos atribulados e tumultuosos de hoje como período culminante de toda a história”, escrevia-se num outro eloquente anúncio.
Antagonismos que dariam lugar à Guerra Fria não eram ainda previsíveis. Os tempos eram então de distender, de fazer uma pausa.
Fazer uma pausa afinal não é uma sugestão originalmente kit-katiana. A Coca-Cola já tal aventava neste sedutor anúncio publicado no referido número das Seleções.
Ontem ao ver na TV a final de 2h25 do Estoril Open entre os tenistas Novak Djokovic e Richard Gasquet, também bebi Coca-Cola.

10 de abril de 2007

E...


Pulga

Era uma vez uma pulga que eu tinha, a qual, por acaso, também tinha uma pulga que, por sua vez, tinha outra pulga. Parece que esta última ao princípio não tinha, mas depois também apanhou uma pulga.
A verdade é que quando eu coçava a minha pulga coçava também a pulga dela. E a pulga da pulga também. E a pulga da pulga da pulga também. E a pulga da pulga da pulga da pulga também. E…

Álvaro Magalhães in Histórias pequenas de bichos pequenos, Edições Asa, 1985.

24 de março de 2007

A máquina que dá felicidade

Anúncio publicado na revista Panorama em 1954.

Não cartesianos, os portugueses dispunham já em 1954 da máquina da felicidade que os investigadores do MIT pretendem agora ter alcançado.

21 de março de 2007

Primavera

A Primavera. Giuseppe Arcimboldo, 1573.

Feliz Primavera!

20 de março de 2007

O Porto fabuloso de Fernando Aroso (2)


A imagem que aqui reproduzo, com a devida vénia, provém do desdobrável publicado como apoio à exposição NO PASSAR DO TEMPO, uma compilação de fotografias de Fernando Aroso determinadas pela escultura nas fachadas do Porto. A exposição esteve patente na Casa do Infante em finais do ano passado e início de 2007, numa organização da Câmara Municipal do Porto.
Mais do que um repositório documental sobre elementos decorativos das frontarias, telhados ou muros do Porto, Aroso apresentou imagens elaboradas com sabedoria e sensibilidade, insuflando-lhes tal ânimo que, cada uma delas se faz mágica e poética.
A continuação natural da exposição seria um livro que tornasse acessível e perene a contemplação das fotografias que estiveram já vinte anos arrecadadas em gavetas.
Guardadas continuam ainda as fotografias de cena que Fernando Aroso realizou nos anos cinquenta e sessenta para o Teatro Experimental do Porto. Falando sobre elas, na altura da exposição Aroso declarou ao JN «tenho pronto um livro, mas não encontro patrocinadores». Para esse livro já possui um esboço.
Fernando Aroso tem um vasto curriculum , uma extensa obra, que qualquer interessado em fotografia deve conhecer. Aí se incluem as belas capas dos LP´s Cantares do Andarilho e Contos Velhos Rumos Novos ( primeiras edições) de José Afonso. Aliás o estro do fotógrafo portuense pode ser encontrado em muitas capas da Discos Orfeu da Arnaldo Trindade, Lda., das quais foi responsável também pelo arranjo gráfico.
Sinto-me feliz por ter visto NO PASSAR DO TEMPO, ou quando vejo Fernando Aroso para os lados da Praça da Batalha com a sua máquina fotográfica.