1 de maio de 2007
10 de abril de 2007
E...
Pulga
Era uma vez uma pulga que eu tinha, a qual, por acaso, também tinha uma pulga que, por sua vez, tinha outra pulga. Parece que esta última ao princípio não tinha, mas depois também apanhou uma pulga.
A verdade é que quando eu coçava a minha pulga coçava também a pulga dela. E a pulga da pulga também. E a pulga da pulga da pulga também. E a pulga da pulga da pulga da pulga também. E…
Álvaro Magalhães in Histórias pequenas de bichos pequenos, Edições Asa, 1985.
Era uma vez uma pulga que eu tinha, a qual, por acaso, também tinha uma pulga que, por sua vez, tinha outra pulga. Parece que esta última ao princípio não tinha, mas depois também apanhou uma pulga.
A verdade é que quando eu coçava a minha pulga coçava também a pulga dela. E a pulga da pulga também. E a pulga da pulga da pulga também. E a pulga da pulga da pulga da pulga também. E…
Álvaro Magalhães in Histórias pequenas de bichos pequenos, Edições Asa, 1985.
24 de março de 2007
A máquina que dá felicidade
21 de março de 2007
20 de março de 2007
O Porto fabuloso de Fernando Aroso (2)

A imagem que aqui reproduzo, com a devida vénia, provém do desdobrável publicado como apoio à exposição NO PASSAR DO TEMPO, uma compilação de fotografias de Fernando Aroso determinadas pela escultura nas fachadas do Porto. A exposição esteve patente na Casa do Infante em finais do ano passado e início de 2007, numa organização da Câmara Municipal do Porto.
Mais do que um repositório documental sobre elementos decorativos das frontarias, telhados ou muros do Porto, Aroso apresentou imagens elaboradas com sabedoria e sensibilidade, insuflando-lhes tal ânimo que, cada uma delas se faz mágica e poética.
A continuação natural da exposição seria um livro que tornasse acessível e perene a contemplação das fotografias que estiveram já vinte anos arrecadadas em gavetas.
Guardadas continuam ainda as fotografias de cena que Fernando Aroso realizou nos anos cinquenta e sessenta para o Teatro Experimental do Porto. Falando sobre elas, na altura da exposição Aroso declarou ao JN «tenho pronto um livro, mas não encontro patrocinadores». Para esse livro já possui um esboço.
Mais do que um repositório documental sobre elementos decorativos das frontarias, telhados ou muros do Porto, Aroso apresentou imagens elaboradas com sabedoria e sensibilidade, insuflando-lhes tal ânimo que, cada uma delas se faz mágica e poética.
A continuação natural da exposição seria um livro que tornasse acessível e perene a contemplação das fotografias que estiveram já vinte anos arrecadadas em gavetas.
Guardadas continuam ainda as fotografias de cena que Fernando Aroso realizou nos anos cinquenta e sessenta para o Teatro Experimental do Porto. Falando sobre elas, na altura da exposição Aroso declarou ao JN «tenho pronto um livro, mas não encontro patrocinadores». Para esse livro já possui um esboço.
Fernando Aroso tem um vasto curriculum , uma extensa obra, que qualquer interessado em fotografia deve conhecer. Aí se incluem as belas capas dos LP´s Cantares do Andarilho e Contos Velhos Rumos Novos ( primeiras edições) de José Afonso. Aliás o estro do fotógrafo portuense pode ser encontrado em muitas capas da Discos Orfeu da Arnaldo Trindade, Lda., das quais foi responsável também pelo arranjo gráfico.
Sinto-me feliz por ter visto NO PASSAR DO TEMPO, ou quando vejo Fernando Aroso para os lados da Praça da Batalha com a sua máquina fotográfica.
Sinto-me feliz por ter visto NO PASSAR DO TEMPO, ou quando vejo Fernando Aroso para os lados da Praça da Batalha com a sua máquina fotográfica.
19 de março de 2007
e fala-se do futuro
É o fim do lusco-fuscoo peixe já chegou
e o barco voltou a partir
as últimas cintilações apagam-se
um copo grande com chá
para aquecer as mãos e a alma
a palavra sincera
olha-se o mar
e fala-se do futuro
joga-se às cartas
esfuma-se um pensamento lazúli
não se olha mais o mar
olha-se para a televisão
Tahar Ben Jelloun, nascido em Fez, 1944, do livro Arzila: Estação de Espuma, tradução de Al Berto, Hiena Editora, Lisboa,1987. A imagem deste post é uma das ilustrações feitas para o livro por Luís Manuel Gaspar.
16 de março de 2007
duas margens. dois.
duas margens
Ponte da Arrábida, Porto, anos 60.
duas margens
quando o tempo
me cobrir os céus
com a anágua suja
da tua espera
e teus lábios
forem duas margens
um
gritando calmaria
outro
clamando tempestade
eu voltarei
de corpo e barco
e por ti seguirei minha viagem
navegarei
entre teus braços
e segredos
eu serei teu búzio
tu
serás meu degredo
Lúcio Lins
quando o tempo
me cobrir os céus
com a anágua suja
da tua espera
e teus lábios
forem duas margens
um
gritando calmaria
outro
clamando tempestade
eu voltarei
de corpo e barco
e por ti seguirei minha viagem
navegarei
entre teus braços
e segredos
eu serei teu búzio
tu
serás meu degredo
Lúcio Lins
8 de março de 2007
Distinção
6 de março de 2007
Voltar
Se uma estação de comboios abandonada, um velho hotel fechado, são sempre imagens que podem ter como banda sonora o mais triste blue, encontrar um blog não actualizado também é algo deprimente.
Talvez nem sempre se deva dar continuidade a tudo que se inicia mas mesmo sem me culpabilizar por este mês de silêncio, motivado por várias e nenhumas razões, decidi voltar.
Ah! É verdade... a Galena deve estar a fazer um ano!
1 de fevereiro de 2007
em Boite
15 de janeiro de 2007
Wally Salomão (2)

Sailormoon, Wally – Não há informação biográfica, mas sabe-se que é um poeta jovem, muito inconformista, com uma tremenda actividade. Eram as informações sobre Wally que Gramiro de Matos e Manuel Seabra introduziam na Antologia da Novíssima Poesia Brasileira editada em Portugal, sem data, mas que julgo ter sido publicada na esquina dos anos 70 e 80. Nessa altura, se já era difícil adquirir em Portugal um livro de Drummond, imagine-se quanto mais o era acompanhar o trabalho de nomes que no Brasil, citando a professora e critíca literária Heloísa Buarque de Hollanda, marcavam a virada do formalismo experimental para a nova produção poética de carácter informal.
Trabalho. Produção. Palavras que grafei em cima. E lembro-me que Wally definiu o seu ofício de poeta assim "açougueiro sem câimbra nos braços / eu faço versos como quem talha./ A facão./ E talho para debastar os excessos: / aparto de mim uma ruma de poemas."
"A memória é uma ilha de edição". Outras palavras de Wally. Recorte. Colagem. A poesia deste poeta baiano provém de uma mesa de montagem, "cercado de Lexicon, Synthaxis" e outras parafernálias linguísticas.
Mesa de montagem instalada no Pavilhão 2 do Carandiru, onde esteve preso acusado de posse de drogas no início dos anos 70, Wally escreveu o tenso e surpreendente Me Segura Que Eu Vou Dar Um Troço, cuja capa (com uma fotografia do meu amigo Ivan Cardoso) aí fica.
Letrista abundante, as suas palavras encontram-se também espalhadas em discos de Caetano, Bethânia, Calcanhotto, eu sei lá. Livros, vários. Mas em Portugal, penso, ainda não acháveis.
Wally Salomão faleceu em 2003. Caetano canta em Cê "findaste o teu desenho /e a tua marca sobre a terra resplandece / resplandece nítida e real/ entre livros e os tambores do vigário geral /e o brilho não é pequeno"
Colocarei mais algum post sobre Wally Salomão. Se me der na veneta.
REVENDO AMIGOS
se me der na veneta eu vou
se me der na veneta eu mato
se me der na veneta eu morro
e volto para curtir
se pintar algum xote eu tou
se pintar um xaxado eu xaxo
se cair algum coco eu corro
e volto para curtir
se chego num dia
a cidade é porreta
se chego num dia
a cidade é careta
se chego num dia e me arranco no outro
e se eu me perder da nau catarineta
eu vou eu mato eu morro
e volto para curtir
na sopa ralada
eu volto para cuspir na sopa ensopada
eu volto para cuspir
eu vou mato e morro
e volto pra curtir
mas eu já morri
e volto para curtir
eu já morri
eu vou mato e morro
e volto para curtir
musicado por Jards Macalé
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