Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Guardo poemas e canções dentro de mim como guardo velhos brinquedos quebrados, fraccionados, dentro de caixas.
De repente descubro que
Terror De Te Amar de Sophia de Mello Breyner Andresen não pode ser separado de
As Praias Desertas de Tom Jobim. É assim depois de ter ouvido Mar de Sophia, recente CD de Maria Bethânia.
Na frieza do som digital, Bethânia embebe as palavras cristalinas de Sophia em, por vezes, não menos refinadas canções, em belíssimas interpretações. E na sábia sonoridade, entre outros, de músicos, como Naná Vasconcelos ou João Carlos Assis Brasil.
Tudo neste CD é tangível com o mar. Com o
Mar Sonoro de Sophia: “Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar”.
Quando escuto os versos de Arnaldo Antunes “Debaixo d´água ficaria para sempre, ficaria contente, longe de toda a gente para sempre. No fundo do mar”, atrevo-me a pensar que para fechar o círculo só fica em falta uma canção de Sérgio Godinho:
…chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundoolhei para baixo dormias lá no fundofaltou-me o pé senti que me afundavapor entre as algas teu cabelo boiavaa lua cheia escureceu nas águase então falamos e então dissemosaqui vivemos muitos anos...