2 de dezembro de 2006

Intervalo para publicidade


Brasil, 1955

27 de novembro de 2006

Cesariny

Tantos pintores...

A realidade, comovida, agradece
mas fica no mesmo sítio
(daqui ninguém me tira)
chamado paisagem
Tantos escritores
A realidade, comovida, agradece
e continua a fazer o seu frio
sobre bairros inteiros na cidade
e algures
Tantos mortos no rio
A realidade, comovida, agradece
porque sabe que foi por ela o sacrifício
mas não agradece muito
Ela sabe que os pintores
os escritores
e quem morre
não gostam da realidade
querem-na para um bocado
não se lhe chegam muito pode sufocar
Só o velho moinho do acordeon da esquina
rodado a manivela de trabuqueta
sem mesura sem fim e sem vontade
dá voltas à solidão da realidade.
Titânia e a cidade queimada

João Benamor. Mais...

Revista Plateia, 1963.

A totalidade da prancha deste cartoon em http://img92.imageshack.us/my.php?image=joobenamor1plateia01046ry8.jpg
Divirtam-se.

23 de novembro de 2006

Verão!

Apesar da silly-season, deveria ser Verão o ano todo. (Pensamento desesperado com tanta chuva...)

22 de novembro de 2006

21 de novembro de 2006

Mar de Sophia


Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Guardo poemas e canções dentro de mim como guardo velhos brinquedos quebrados, fraccionados, dentro de caixas.
De repente descubro que Terror De Te Amar de Sophia de Mello Breyner Andresen não pode ser separado de As Praias Desertas de Tom Jobim. É assim depois de ter ouvido Mar de Sophia, recente CD de Maria Bethânia.
Na frieza do som digital, Bethânia embebe as palavras cristalinas de Sophia em, por vezes, não menos refinadas canções, em belíssimas interpretações. E na sábia sonoridade, entre outros, de músicos, como Naná Vasconcelos ou João Carlos Assis Brasil.
Tudo neste CD é tangível com o mar. Com o Mar Sonoro de Sophia: “Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar”.
Quando escuto os versos de Arnaldo Antunes “Debaixo d´água ficaria para sempre, ficaria contente, longe de toda a gente para sempre. No fundo do mar”, atrevo-me a pensar que para fechar o círculo só fica em falta uma canção de Sérgio Godinho:

…chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo

olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falamos e então dissemos
aqui vivemos muitos anos...

18 de novembro de 2006

Paula Rego


O Príncipe Porco casa com a terceira irmã, 2006 Litografia 48x48 cm

Não resisto a colocar aqui a imagem do convite que recebi para a exposição Paula Rego, Obra Gráfica, Litografias Recentes, patente na Galeria 111 no Porto até 30 de Dezembro. O site da galeria é www.galeria111.pt .

14 de novembro de 2006

João Benamor

Pouco sei sobre João Benamor. Conheço as suas intervenções nas revistas Plateia e Crónica Feminina dos anos 60 expondo um vetusto humor que hoje se tem de contextualizar na sua época. Um humor povoado, em interessantes ilustrações, por cobiçáveis pin-ups e burlescas figuras. Sei também que João Benamor colaborou no Jornal do Exército.
Alguém terá mais dados sobre ele?
O cartoon que aqui se reproduz foi publicado na revista Plateia em 1962 e a totalidade da prancha onde ele se insere pode ser apreciada em http://img148.imageshack.us/my.php?image=joobenamorcs2.jpg

9 de novembro de 2006

Caldinho Knorr



Este blog permanece caladinho. Knorr.

28 de outubro de 2006

Rogério Duprat



Entre os anos de 1967 e 1968, a explosão do Tropicalismo no Brasil teve o mérito de questionar e ao mesmo tempo conciliar o “bom” e o “mau” gosto.
Conciliar, incorporar eram lemas, não-lemas, do Tropicalismo.
O maestro Rogério Duprat teve um papel importante no movimento, sendo o responsável pelos arranjos e regência do álbum Tropicália ou Panis et Circenses.
Rogério Duprat faleceu esta semana em São Paulo.
É a capa de Tropicália que aqui se reproduz. Nela aparecem não só os que assinam o disco, Caetano, Gil, Os Mutantes, Gal Nara Leão e Rogério Duprat (com um penico na mão), como também Tom Zé e os poetas Torquato Neto e José Carlos Capinam.

27 de outubro de 2006

Águas turvas




…Eu não gosto do bom gosto

Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Senhas, Adriana Calcanhotto

Temo que um destes dias possa surgir um politicamente correcto volume com título tipo, Manual do Bom Gosto, um guia para acolhimento de espectáculos em teatros municipais. Surgiu-me o receio ao ler esta semana no JN as declarações de um «ex-ocupa» do Rivoli. Francisco Alves depois de ter sido recebido com outros manifestantes pela ministra da Cultura, disse ao relatar o encontro: “ A ministra mostrou-se empenhada em definir o conceito de serviço público, reconhecendo que não faz sentido uma rede de teatros para depois apresentar, por exemplo, música pimba”.
Atente-se à expressão «por exemplo». Parece que já foi destrinçado o tipo de espectáculos, além da música pimba, a incluir num qualquer índex.
Que a ministra queira, ainda citada pelo encenador, “produzir documentação sobre a definição de serviço público e estabelecer regras claras para a Rede de Teatros Municipais financiados com dinheiros públicos”, parece-me pertinente e a ser feito com desembaraço porquanto tardiamente. Mas discriminar e, para já verbalmente decretar ao ostracismo, géneros artísticos que a ministra e alguns intelectuais confinam como menores, é um exercício perigoso e pouco democrático.
Que direito existirá de vedar o palco de um teatro municipal a quem com empenho, seriedade e rigor faça canções de acordes e letras simples que agradam a públicos, que sensibilizam pessoas? A meu ver nenhum.
Entende-se a precaução da ministra, mas estamos perante um discurso classista que demonstra que do outro lado de um rio pardacento, podem também estar águas turvas.

…Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Mas o que eu não gosto é do bom gosto…