22 de novembro de 2006

Intervalo para publicidade



Portugal, 1961.

21 de novembro de 2006

Mar de Sophia


Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.

Guardo poemas e canções dentro de mim como guardo velhos brinquedos quebrados, fraccionados, dentro de caixas.
De repente descubro que Terror De Te Amar de Sophia de Mello Breyner Andresen não pode ser separado de As Praias Desertas de Tom Jobim. É assim depois de ter ouvido Mar de Sophia, recente CD de Maria Bethânia.
Na frieza do som digital, Bethânia embebe as palavras cristalinas de Sophia em, por vezes, não menos refinadas canções, em belíssimas interpretações. E na sábia sonoridade, entre outros, de músicos, como Naná Vasconcelos ou João Carlos Assis Brasil.
Tudo neste CD é tangível com o mar. Com o Mar Sonoro de Sophia: “Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto do mar”.
Quando escuto os versos de Arnaldo Antunes “Debaixo d´água ficaria para sempre, ficaria contente, longe de toda a gente para sempre. No fundo do mar”, atrevo-me a pensar que para fechar o círculo só fica em falta uma canção de Sérgio Godinho:

…chegado ao mar alto abriu-se em dois o mundo

olhei para baixo dormias lá no fundo
faltou-me o pé senti que me afundava
por entre as algas teu cabelo boiava
a lua cheia escureceu nas águas
e então falamos e então dissemos
aqui vivemos muitos anos...

18 de novembro de 2006

Paula Rego


O Príncipe Porco casa com a terceira irmã, 2006 Litografia 48x48 cm

Não resisto a colocar aqui a imagem do convite que recebi para a exposição Paula Rego, Obra Gráfica, Litografias Recentes, patente na Galeria 111 no Porto até 30 de Dezembro. O site da galeria é www.galeria111.pt .

14 de novembro de 2006

João Benamor

Pouco sei sobre João Benamor. Conheço as suas intervenções nas revistas Plateia e Crónica Feminina dos anos 60 expondo um vetusto humor que hoje se tem de contextualizar na sua época. Um humor povoado, em interessantes ilustrações, por cobiçáveis pin-ups e burlescas figuras. Sei também que João Benamor colaborou no Jornal do Exército.
Alguém terá mais dados sobre ele?
O cartoon que aqui se reproduz foi publicado na revista Plateia em 1962 e a totalidade da prancha onde ele se insere pode ser apreciada em http://img148.imageshack.us/my.php?image=joobenamorcs2.jpg

9 de novembro de 2006

Caldinho Knorr



Este blog permanece caladinho. Knorr.

28 de outubro de 2006

Rogério Duprat



Entre os anos de 1967 e 1968, a explosão do Tropicalismo no Brasil teve o mérito de questionar e ao mesmo tempo conciliar o “bom” e o “mau” gosto.
Conciliar, incorporar eram lemas, não-lemas, do Tropicalismo.
O maestro Rogério Duprat teve um papel importante no movimento, sendo o responsável pelos arranjos e regência do álbum Tropicália ou Panis et Circenses.
Rogério Duprat faleceu esta semana em São Paulo.
É a capa de Tropicália que aqui se reproduz. Nela aparecem não só os que assinam o disco, Caetano, Gil, Os Mutantes, Gal Nara Leão e Rogério Duprat (com um penico na mão), como também Tom Zé e os poetas Torquato Neto e José Carlos Capinam.

27 de outubro de 2006

Águas turvas




…Eu não gosto do bom gosto

Eu não gosto do bom senso
Eu não gosto dos bons modos
Não gosto

Senhas, Adriana Calcanhotto

Temo que um destes dias possa surgir um politicamente correcto volume com título tipo, Manual do Bom Gosto, um guia para acolhimento de espectáculos em teatros municipais. Surgiu-me o receio ao ler esta semana no JN as declarações de um «ex-ocupa» do Rivoli. Francisco Alves depois de ter sido recebido com outros manifestantes pela ministra da Cultura, disse ao relatar o encontro: “ A ministra mostrou-se empenhada em definir o conceito de serviço público, reconhecendo que não faz sentido uma rede de teatros para depois apresentar, por exemplo, música pimba”.
Atente-se à expressão «por exemplo». Parece que já foi destrinçado o tipo de espectáculos, além da música pimba, a incluir num qualquer índex.
Que a ministra queira, ainda citada pelo encenador, “produzir documentação sobre a definição de serviço público e estabelecer regras claras para a Rede de Teatros Municipais financiados com dinheiros públicos”, parece-me pertinente e a ser feito com desembaraço porquanto tardiamente. Mas discriminar e, para já verbalmente decretar ao ostracismo, géneros artísticos que a ministra e alguns intelectuais confinam como menores, é um exercício perigoso e pouco democrático.
Que direito existirá de vedar o palco de um teatro municipal a quem com empenho, seriedade e rigor faça canções de acordes e letras simples que agradam a públicos, que sensibilizam pessoas? A meu ver nenhum.
Entende-se a precaução da ministra, mas estamos perante um discurso classista que demonstra que do outro lado de um rio pardacento, podem também estar águas turvas.

…Eu aguento até os modernos
E seus segundos cadernos
Eu aguento até os caretas
E suas verdades perfeitas
Mas o que eu não gosto é do bom gosto…

19 de outubro de 2006

Rivoli.

De madrugada, com a intervenção da PSP, tudo voltou ao normal no Rivoli. Ninguém mais se inquietará com algo de exótico a acontecer na Praça D. João I.
A habitualmente generosa população do Porto, fez-me lembrar neste caso, a canção que diz quem passa nem liga, já vai trabalhar. Em geral, os portuenses não estiveram solidários com os «ocupantes» do Rivoli. Mas nos dias que correm os portuenses pouco abandonam os seus condomínios fechados onde se barricam, sabe-se lá porquê, os guetos que são os bairros sociais e os subúrbios tristes e desmotivantes onde se acomodam numa diáspora.
Foi uma minoria, que até não é mesmo imensa, quem decidiu intervir/agir artisticamente e civicamente em torno do Rivoli. Com criatividade e determinação. Afinal nem tudo está perdido.
Como notava João Fernandes do Museu de Serralves hoje no JN, em 1978 artistas também ocuparam o MOMA em Nova Yorque, só que a administração não lhes cortou a água, nem a luz, nem o resto. Dialogou com eles e daí o Museu saiu valorizado. João Fernandes ponderava que a transgressão, desde que não coloque em causa a ética humana, é uma atitude respeitável.
No Rivoli manifestou-se não só uma resistente capacidade de indignação como se levou a arte onde ela deve ir: até às consequências possíveis. Não se espera que toda a gente entenda isso, muito menos o executivo da Câmara do Porto.
No Rivoli tudo voltou ao normal mas nada será como antes.

17 de outubro de 2006

Como nossos pais.

Como nossos pais
(Belchior in Falso Brilhante, álbum de Elis Regina, 1976)

Não quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi e tudo o que aconteceu comigo

Viver é melhor que sonhar
E eu sei que o amor é uma coisa boa
Mas também sei que qualquer canto é menor do que a vida de qualquer pessoa

Por isso cuidado, meu bem, há perigo na esquina
Eles venceram e o sinal está fechado pra nós que somos jovens
Para abraçar seu irmão e beijar sua menina na rua
É que se fez o seu braço, o seu lábio e a sua voz

Você me pergunta pela minha paixão
Digo que estou encantado como uma nova invenção
Eu vou ficar nesta cidade, não vou voltar pro sertão
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova nova estação
Eu sei de tudo na ferida viva do meu coração

Já faz tempo eu vi você na rua cabelo ao vento gente jovem reunida
Na parede da memória essa lembrança é o quadro que dói mais
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como nossos pais

Nossos ídolos ainda são os mesmos e as aparências não se enganam, não
Você diz que depois deles não apareceu mais ninguém
Você pode até dizer que tou por fora ou então que tou inventando
Mas é você que ama o passado e que não vê
É você que ama o passado e que não vê
Que o novo sempre vem

Hoje eu sei que quem deu me deu a idéia de uma nova consciência e juventude
Está em casa guardado por Deus contando vil metal
Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo tudo o que fizemos
Nós ainda somos os mesmos e vivemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais

14 de outubro de 2006

Valsa Negra


A epígrafe de Valsa Negra inscreve uma citação de Catulo: o ódio é indistinguível do amor. Depois entra-se num universo tenso protagonizado por um maestro que se deixa obcecar pelos ciúmes da sua namorada trinta anos mais nova. Ficam-nos rastros diversos. Ali encontramos Gustav Mahler, São Paulo, o conflito Israelo- Árabe e, principalmente, personagens envoltos na dor e na crueldade geradas por perturbações afectivas .
Viciado na escrita ritmada e fluida dos livros de Patrícia Melo, gosto especialmente de Valsa Negra .
A capa da edição portuguesa (Campo da Literatura) é da autoria de Elsa Navarro e José Saraiva que conseguiram algo mais que um adorno para o objecto suporte do romance. Ouve-se a Valsa da Dor de Villa-Lobos nesta capa.

3 de outubro de 2006

Livro.


Acabou de imprimir-se em 5 de Abril de 1974. O arranjo gráfico é de João B.. João Botelho, I believe. Já não sei quando nem onde o comprei. Sei que tem um leve cheiro a mofo, não absolutamente desagradável. E uma capa que não resisti a digitalizar para mostrar (repartir) aqui.