3 de outubro de 2006

Livro.


Acabou de imprimir-se em 5 de Abril de 1974. O arranjo gráfico é de João B.. João Botelho, I believe. Já não sei quando nem onde o comprei. Sei que tem um leve cheiro a mofo, não absolutamente desagradável. E uma capa que não resisti a digitalizar para mostrar (repartir) aqui.

23 de setembro de 2006

Clérigos ao rubro.


O esplendor barroco e a imponência da Torre e Igreja dos Clérigos, estão agora envoltos por uma tela gigante onde predomina o vermelho e se faz publicidade à cerveja Sagres Bohemia. Assim, o sugerir da degustação de uma cerveja, oculta os trabalhos que estão a decorrer e que visam conservação daquele conjunto arquitectónico. Pelos media ficou-se a saber que a Sociedade Central de Cervejas e Bebidas estabeleceu com a Agência para Modernização do Porto, ao abrigo do Programa "Porto com Pinta" um protocolo de mecenato que permitiu erguer a tela gigante que publicita a cerveja. Isto com a anuência da hierarquia da Igreja, e o aval do próprio Bispo do Porto, Senhor Dom Armindo Lopes Coelho.
Pagaram os detentores da marca de cerveja 25.000 Euros. Negócios.
Igreja e Torre (esta até à altura do relógio) estarão envolvidas, ainda mais alguns meses pela exaltação do hedonismo. Oportunidade aberta para os GNR fazerem um remake do clip de Vídeo-Maria protagonizado desta vez por uma espumejante ruiva. Rui Reininho desafiando a senescência em plena acção junto à tela vermelha a entrar, não numa loja de conveniência mas sim na Igreja dos Clérigos. Não para assaltar a caixa de esmolas, antes para comprar Sagres Bohemia. Sequer seria um vídeo inteiramente de baixo teor moral pois o hipotético cenário, como ditam as leis, exibe também na tela vermelha a indispensável frase beba com moderação. Frase que se supõe imposta pelo código de publicidade e não por leituras bíblicas.
Estamos de facto perante um verdadeiro happenig pós-pós-moderno. Os janelões, os ornatos, enfim, praticamente todo o barroco luxuriante dos Clérigos coberto por um sintético rubro, como constituindo uma justaposição que nos transporta para uma realidade paralela.
Argh… vou beber uma Super-Bock

11 de setembro de 2006

A Galena volta dentro de momentos.

27 de julho de 2006

6 de julho de 2006

Gisberta

Gisberta atravessou o Atlântico porque queria ser feliz. Gisberta foi travesti porque queria ser feliz. Gisberta era transexual porque queria ser feliz. Mataram a Gisberta porque ela queria ser feliz. Depois, talvez tenham ido ver os Morangos com Açúcar.

26 de junho de 2006

Deslumbramento


O episódio é extraordinário e foi relatado por medias como o jornal The Standard de Hong-Kong ou a Rádio Voz da América: o norte-coreano Kim Cheol-woong estudou piano desde pequeno vindo a tornar-se um estimado e protegido artista pelo regime de Pyongyang. O seu reportório era constituído por hinos marciais e melodias exaltando a premência de« fazer brilhar no firmamento da Coréia e de toda a Humanidade a estrela radiosa dos grandes Líderes Kim II Sung e Kim Jong IL».
Em 1999, o pianista então com 31 anos vividos entre privilégios facultados pela sua condição de artista ao serviço do regime, viaja até Moscovo onde ouve uma música que ele considera de uma «beleza estonteante» e que o deixou a tremer, em êxtase. Alguma especial interpretação de um concerto para piano de Beethoven? Uma gravação do Concerto de Colónia de Keith Jarrett? Não. O que o deslumbrou foi uma música do francês Richard Clayderman. Leram bem: Richard Clayderman.
A suavidade da melodia que ouviu, em contraste com o que ele considera «poderosas e masculinas músicas marciais» que tocava, alteram o seu rumo artístico. Dois anos depois, Kim Cheol-woong foge da Coreia do Norte e refugia-se , em Seul para se dedicar, como músico e professor, ao Jazz à música clássica.
Sem considerações sobre conceitos ou preconceitos artísticos, A Galena deixa aqui a nota.

19 de junho de 2006

Avenida dos Aliados


Eu ando pelo mundo prestando atenção
em cores que eu nem sei o nome
cores de Almodóvar
cores de Frida Khalo, cores
passeio pelo escuro

eu vejo tudo enquadrado
remoto controle.


Esquadros, Adriana Calcanhotto.

Porto. O filme da cidade começa a ser difícil de montar. Falta de figurantes. Principalmente nas cenas nocturnas.
E nos frames da Avenida dos Aliados, muito cinzento. Por outras palavras, Manuel António Pina descreve hoje no Jornal de Notícias a actual Aliados, saída das obras, como «uma Tiananmen monocórdica e “sizenta”.
Velhos postais da Avenida são agora imagens transcendentes. Os bancos de um vermelho que eu nem sei o nome, antes de serem uma recordação, já lá estavam etéreos. Ninguém desconfiava.

13 de junho de 2006

Tucker




Na Avenida da Boavista, no Porto, foram realizadas salientes alterações para, uma vez por ano, ali decorrer um desfile de carros antigos, promovido pela Câmara Municipal do Porto com o alto empenho do Dr. Rui Rio. Por exemplo, decidiu-se sacrificar esplendorosas tílias que ornamentavam o local. O facto não é motivo para a Galena deixar de gostar de automóveis antigos mas apenas para apreciar menos o Dr. Rui Rio. Adiante.
Em 1940 o norte-americano Preston Tucker, então já com uma carreira dedicada à elaboração de planos industriais, inaugurou em Ypsilanti, Michigan, a Tucker Aviation Corporation, empresa que se dedicava ao fabrico de aviões, tanques e canhões. Vivia-se então a Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflito em 1945 Tucker empreende um projecto: lançar no mercado um automóvel revolucionário que apresentasse um futurista design aerodinâmico, fruto da sua experiência na aviação, uma elevada preocupação com a segurança, bem como um grande número de inovações mecânicas. E com a preocupação do modelo chegar ao consumidor norte-americano a preço acessível.
Um projecto para o qual Tucker muito lutou para atrair verbas através do mercado de acções. O sonho, o trabalho e a perseverança de Tucker e dos seus colaboradores resultaram no lançamento do Tucker 48. Mas a restante indústria automóvel dos Estados Unidos não ficou agradada com o carro de Preston Tucker que se viu acusado com processos de fraudes dos quais viria a ser absolvido mas já com o seu projecto arruinado. Mesmo assim alguns poucos Tucker 48 ainda foram lançados para as estradas, sendo actualmente conservados como objecto de culto pelos seus possuidores.
Quem bem conta esta história é Francis Ford Coppola no filme Tucker – The Man And His Dream (com soberba música de Joe Jackson).
A expectativa que este carro motivou, chegou até à cidade do Porto, como comprova o anúncio que a Galena reproduz e que retirou da revista portuense Altura, de Março de 1948.

Como chuva que viesse em pleno Junho

Tinha-se a Galena decidido a uma semana de férias...