20 de abril de 2006
19 de abril de 2006
12 de abril de 2006
Lawrence Ferlinghetti

Lawrence Ferlinghetti.
Foto de Alberto Guimarães
DÁDÁ DEVIA TER GOSTADO DE UM DIA COMO ESTE
Dádá devia ter gostado de um dia como este
com todas estas tão realistas
irrealidades
cada qual quase a tornar-se
demasiadamente irreal em relação ao lugar que
[ocupa
o qual nunca é suficientemente distante
para poder ser a Boémia
Dádá devia ter amado um dia como este
com este sol de lâmpada eléctrica
que ilumina de uma forma tão diferente
pessoas diferentes
mas que ilumina de modo tão idêntico
toda a gente
e tudo
tal como
um pássaro que vai cantar
um avião numa nuvem debruada a ouro
uma mão com um esfregão
a acenar à janela
ou um telefone que vai tocar
ou uma boca que vai deixar de
fumar
ou um novo jornal
com as «últimas notícias»
acerca de uma bailarina cancerosa
Sim Dádá teria morrido por um dia como este
com este doce carnaval nas ruas
e com este funeral tão real
atravessando as ruas
levando a bailarina cancerosa morta
no caixão
e o último apaixonado da bailarina
[perdido
na multidão não-solitária
e com o querido bebé da bailarina
quase a dizer Dádá
e com este padre passageiro
que vai rezar a Dádá
e oferecer desculpas tão
transcendentes
Sim Dádá deva ter amado um da como este
com estas analagias
não acidentais
Lawrence Ferlinghetti. Pictures of the Gone World. ( Como Eu Costumava Dizer, Publicações Dom Quixote)
Etiquetas:
beat generation,
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17 de março de 2006
Paisagem Útil
Nesta quase Primavera do hemisfério norte, numa estrada portuguesa ao fim da tarde com uma lua quase cheia , vejo «num mastro firme e lento» o logotipo do Lidl. Lua bem amarela e redonda sobre azul. E lembro-me da Paisagem Útil de Caetano Veloso:
...Uma lua oval da Esso
Comove e ilumina o beijo
Dos pobres tristes felizes
Corações amantes do nosso Brasil
Gosto do logotipo do Lidl.
...Uma lua oval da Esso
Comove e ilumina o beijo
Dos pobres tristes felizes
Corações amantes do nosso Brasil
Gosto do logotipo do Lidl.
Boulevard des Capucines

Chama-se José Roberto Sarsano, tem 60 anos e vive em São Paulo. Escreveu um livro, Boulevard des Capucines, que conta uma estória bonita que ele viveu. Em 1963 José Roberto comprou uma bateria e criou um grupo musical, o Bossa Jazz Trio que viria a acompanhar Elis Regina. Depois de ter acompanhado Elis no Fino da Bossa e outras aventuras, seria o grupo que viajou com a cantora para as suas determinantes apresentações no MIDEM em Cannes e e na temporada do Olimpia de Paris em 1968. Esses espectáculos foram um êxito enorme (Upa, neguinho passou a ser cantarolado pelos parisienses), tendo até lançado influências em alguma música francesa. O Bossa Jazz Trio foi importante para a afirmação do «som de Elis» mas também editou discos próprios. Um deles acaba de ser reeditado no Brasil pela Som Livre, recuperado por Charles «Titã» Gavin. José Roberto deixou a carreira musical no final de 1969 para empreender uma carreira como administrador de empresas. Em Boulevard des Capucines o relato desses sete anos frenéticos é acompanhado profusamente de fotografias e recortes de imprensa da época. Como José Roberto assinalou na dedicatória do exemplar que gentilmente me enviou, citando Lô Borges cantado por Elis no Trem Azul, “ Coisas que ficaram muito tempo por dizer, na canção do vento não se cansam de voar…”
Boulevard des Capucines é importante ser lido por quem se interessa por música brasileira. Entre outras razões, para se entender de vez a importância de São Paulo para a Bossa Nova. E principalmente para ficar a conhecer mais sobre Elis Regina.
O livro foi lançado pela Editora Árvore da Terra http://www.arvoredaterra.com.br/ e na minha modesta opinião teria cabimento uma edição portuguesa.
Mais informações http://jsarsano.fotoblog.uol.com.br/
16 de março de 2006
Nada. Transcendental.
Galena Transcendental. Porque vou deixar aqui reflexões, ou nem tanto, sobre o que capto. Se captar algo, claro, pois sou um nadinha distraído e por vezes teimosamente desatento. Ah ! Galena Transcendental só pode ter sido um título inspirado em Cinema Transcendental de Caetano. Cinema transcendental, trilhos urbanos, Gal cantando Balancê. Mas eu não quero explicar nada.
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